No cenário atual, seu dinheiro está protegido por sistemas que sofrem dezenas de tentativas de invasão todos os dias. Com a digitalização acelerada dos serviços financeiros, a segurança digital passou de diferencial a requisito essencial para qualquer usuário, fintech ou banco.
Você já parou para pensar em quantas portas de entrada existem entre seu celular e a conta bancária? Cada transação, cada API, cada login 24/7 aumenta a exposição e exige defesas robustas para manter seu patrimônio a salvo.
O elo entre finanças e segurança digital
O setor financeiro é hoje um dos mais visados por cibercriminosos no Brasil e no mundo. No primeiro trimestre de 2025, as instituições financeiras brasileiras concentraram 20,18% de todos os incidentes de ciberataques monitorados, totalizando mais de 132 mil tentativas de invasão — ou seja, mais de duas tentativas por dia para cada organização.
Em média global, o custo de um vazamento de dados chega a US$ 4,44 milhões por incidente; em mercados mais regulados, como os Estados Unidos, esse valor ultrapassa US$ 10 milhões. Quando o vetor é phishing, o prejuízo médio por incidente atinge US$ 4,8 milhões, segundo o relatório de 2025 do IBM Security.
Esses números reforçam que seu dinheiro não está imune: fraude, vazamento de dados e interrupções nos serviços impactam diretamente seu saldo, seus investimentos e sua confiança no sistema financeiro.
Panorama de ameaças e riscos
Para entender como proteger seus recursos, é fundamental conhecer as principais táticas usadas pelos invasores e as novas tendências que surgem no mercado.
- Phishing e engenharia social sofisticada: golpes que utilizam deepfakes, clonagem de e-mails e mensagens falsas para enganar clientes e funcionários, crescendo 21% no Brasil em 2025.
- Ransomware: ataques que paralisam operações, bloqueiam acesso a dados e podem causar indisponibilidade de serviços bancários, tendo crescido 95% em 2023.
- Vazamento de dados financeiros e pessoais: 43% das fintechs já sofreram incidentes com prejuízo médio de US$ 6,67 milhões.
- Ataques a aplicativos e APIs: injeções SQL, falhas de autenticação e APIs mal protegidas permitem roubo de dados e manipulação de transações.
- Ameaças internas: colaboradores negligentes ou descontentes podem ocasionar vazamentos e fraudes internas.
Além desses vetores clássicos, o uso malicioso de inteligência artificial representa um desafio crescente. Em 2025, 66% dos especialistas apontam IA e machine learning como o principal foco de ciberataques, com conteúdos de phishing cada vez mais convincentes e deepfakes de voz e vídeo.
Impactos financeiros e continuidade de negócios
Quando falamos em segurança digital, não estamos tratando apenas de tecnologia: estamos falando de continuidade de negócios, reputação e da vida financeira de milhões de clientes.
O tempo de indisponibilidade em instituições financeiras pode representar perdas diárias de milhões de dólares. Para 93% das empresas que ficam sem acesso a dados por mais de 10 dias, fechar as portas em menos de um ano torna-se uma realidade.
Em outras palavras, segurança digital não é um capítulo técnico relegado a um setor de TI: ela determina se seu dinheiro permanece acessível e se o banco em que você confia continuará operando nos próximos anos.
Regulação e exigências no setor financeiro
Em 2025, o ambiente regulatório no Brasil se tornou mais rigoroso, exigindo que instituições financeiras e fintechs adotem controles avançados em privacidade de dados, compliance e segurança digital.
Órgãos como o Banco Central do Brasil, ANBIMA e a LGPD impõem obrigações que vão desde relatórios de incidentes e avaliações de risco até testes periódicos de segurança e criptografia de dados.
- Responsabilidade por vazamentos: as instituições têm de comunicar o cliente e adotar medidas de mitigação imediatas.
- Compliance digital: processos de segurança devem ser documentados e auditáveis.
- Monitoramento contínuo: uso de nuvem e APIs deve seguir políticas rígidas de acesso e proteção.
O descumprimento dessas normas pode gerar multas milionárias e sanções severas, além de comprometer a credibilidade da instituição e a confiança dos clientes.
Estratégias e boas práticas para proteger seus ativos
Para clientes e empresas, investir em cibersegurança não é mais opcional. É preciso criar um ambiente resiliente, com foco em prevenção, detecção e resposta a incidentes.
Veja algumas recomendações essenciais:
- Implementação de autenticação multifator: dificulta o acesso indevido mesmo se as credenciais forem vazadas.
- Educação continuada: treinamentos regulares em engenharia social e práticas seguras para funcionários e clientes.
- Monitoramento em tempo real: soluções de SIEM e EDR para identificar comportamentos suspeitos.
- Testes de penetração periódicos: avaliação proativa das vulnerabilidades em sistemas e aplicativos.
- Governança de dados: políticas claras de classificação, armazenamento e descarte de informações sensíveis.
Além disso, é fundamental realizar auditorias de segurança antes da adoção de novas tecnologias, especialmente aquelas baseadas em IA generativa ou em soluções descentralizadas como blockchain. Segundo o Fórum Econômico Mundial, 63% das organizações não avaliam adequadamente as ferramentas de IA antes de implementá-las, expondo-se a riscos evitáveis.
Investimentos e tendências no Brasil
O Brasil deve investir R$ 104,6 bilhões em cibersegurança até o final de 2025, refletindo a urgência em fortalecer defesas e atender às exigências regulatórias.
Esses recursos devem ser direcionados a:
- Atualização de infraestrutura de segurança em nuvem;
- Desenvolvimento de APIs seguras e auditorias constantes;
- Soluções de inteligência artificial para detecção de ameaças sofisticadas;
- Programas de conscientização e treinamento para todos os níveis da organização.
Com esses investimentos, espera-se reduzir significativamente a superfície de ataque e aumentar a capacidade de resposta a incidentes.
Por fim, lembre-se: a proteção do seu dinheiro depende de uma abordagem colaborativa entre instituições financeiras, órgãos reguladores e você, usuário final. Adotar processos robustos de segurança e manter-se informado são atitudes que fazem toda a diferença.
Não deixe seu patrimônio vulnerável. Aplique as recomendações, exija transparência das instituições e ajude a construir um ecossistema financeiro mais seguro para todos.
Referências
- https://witec.com.br/maiores-desafios-de-seguranca-fintechs-2025/
- https://itshow.com.br/ciberataques-no-setor-financeiro-em-2025/
- https://stefanini.com/pt-br/insights/tendencias-de-ciberseguranca-no-setor-financeiro-em-2025
- https://fenati.org.br/setor-financeiro-brasileiro-ciberataques-2025/
- https://www.netconn.com.br/post/5-estatisticas-sobre-perda-de-dados-em-2025-e-o-impacto-no-negocio
- https://www.welivesecurity.com/pt/seguranca-digital/brasil-deve-aumentar-em-43-os-investimentos-em-ciberseguranca-ate-2028-aponta-relatorio/
- https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/consultoria-negocios/2025/global-digital-trust-insights-survey-2025.html
- https://abbc.org.br/seguranca-digital-desafios-e-estrategias-para-instituicoes-financeiras-em-2025/
- https://febrabantech.febraban.org.br/temas/seguranca/investimento-em-seguranca-da-informacao-deve-crescer-15-em-2025
- https://startupi.com.br/ciberataques-no-brasil-crescem-21-em-2025/







