Contratar um financiamento é um passo decisivo na vida de muitos brasileiros, representando a materialização de sonhos e planos de longo prazo.
No Brasil, mais de 50% dos imóveis são adquiridos por meio de crédito bancário, e cada contrato envolve prazos que podem chegar a 35 anos.
Além do impacto financeiro imediato, as escolhas feitas neste momento podem afetar seu patrimônio e bem-estar por décadas.
Falta de Planejamento Financeiro
O principal erro consiste em iniciar o processo sem um diagnóstico completo das receitas, despesas e possíveis imprevistos.
Quando há comprometimento excessivo da renda mensal, qualquer oscilação na economia ou na vida pessoal pode levar ao atraso de parcelas.
As simulações deveriam incluir amortizações extras, comparação entre sistemas de amortização e cenários de alta de juros. Sem essa análise, o comprador fica vulnerável a surpresas indesejadas.
Para ilustrar, imagine uma família que assume prestação calculada com juros de 8% ao ano. Se a taxa sobe para 12%, o valor da parcela pode aumentar em até 30%, tornando o pagamento inviável.
Documentação e Verificação de Pendências
Negligenciar a conferência de certidões e registros do imóvel pode gerar custos altos para regularização ou até a perda da propriedade.
É fundamental checar a matrícula no cartório de imóveis, verificar eventuais penhoras, litígios ou débitos de IPTU. Caso contrário, haverá não verificar toda a documentação do imóvel e consequências gravosas.
Além disso, a idoneidade do vendedor deve ser confirmada para evitar fraudes. Um contrato assinado sem essa garantia pode resultar em disputas judiciais que consomem tempo e recursos.
Custos Ocultos e Despesas Acessórias
Muitos assumem que o valor financiado e a taxa de juros são as únicas despesas relevantes, mas há outros custos que podem representar milhares de reais.
- ITBI: de 2% a 4% do valor do imóvel, variável conforme o município.
- Taxas cartorárias, registro e escritura.
- Taxa de avaliação do bem pelo banco e seguro habitacional obrigatório.
- Corretagem, fundo de reserva e possíveis tarifas de manutenção de conta.
Ao ignorar custos extras no planejamento, o comprador pode ficar impossibilitado de arcar com as obrigações finais, atrasando a entrega das chaves.
Pesquisar Instituições e Condições de Crédito
A pressa em fechar negócio faz muita gente aceitar a primeira oferta recebida, sem avaliar alternativas mais vantajosas.
Qualquer pessoa comum tende a aceitar a primeira proposta sem comparar, perdendo oportunidades de taxas menores ou prazos mais flexíveis.
Vale pesquisar bancos públicos, privados, cooperativas de crédito e fintechs, além de acompanhar programas federais como o Casa Verde e Amarela. As diferenças podem chegar a 1 ponto percentual ao ano.
Avaliação de Riscos e Cenários Futuramente
Planos de longo prazo exigem projeções realistas. Não considerar cenários adversos deixa o tomador vulnerável.
É recomendável testar o orçamento em situações extremas: desemprego, aumento de juros e imprevistos de saúde ou reforma do imóvel.
Outra recomendação é planejar cenários de aumento de juros e manter uma reserva de emergência equivalente a, no mínimo, seis meses de parcelas.
Exemplos de Erros na Prática
- Case 1: Maria fechou o compromisso de compra antes da aprovação do crédito. Quando o banco recusou o empréstimo, ela perdeu o sinal de R$ 20.000 e arcou com multa de rescisão.
- Case 2: João não considerou o tempo de vacância e pagou manutenção e IPTU sem receber aluguel, reduzindo a rentabilidade pela metade.
- Case 3: Um investidor que protocolou o financiamento sem checar a existência de débitos posteriores descobriu uma penhora e virou parte de um processo judicial.
Dados Quantitativos
Esses números evidenciam a necessidade de análise criteriosa antes de assumir obrigações de longo prazo.
Recomendações Práticas
Para garantir segurança e evitar armadilhas financeiras, considere as seguintes ações:
- Consultar o score de crédito e corrigir pendências no CPF antes da simulação.
- Verificar todas as certidões do imóvel e do vendedor, garantindo a legalidade do negócio.
- Manter uma reserva de emergência para custos não previstos e eventuais atrasos de renda.
- Não comprometer mais de 30% da renda mensal com dívidas de longo prazo.
- Simular amortizações extras para reduzir o prazo e o montante de juros pagos.
- consultar profissionais especializados em financiamento para revisar cláusulas e negociar melhores condições.
Contratar um financiamento consciente exige pesquisa, paciência e disciplina. Ao investir tempo na preparação, você transforma esse compromisso em uma ferramenta de conquista e segurança.
Evitar os erros mais comuns garante maior controle sobre o orçamento e reduz a ansiedade, tornando a experiência de aquisição de bens muito mais tranquila e satisfatória.
Com planejamento robusto e suporte especializado, seu financiamento será um aliado sólido para construção de um futuro financeiro saudável.
Referências
- https://nradvocacia.com.br/erros-comuns-em-transacoes-imobiliarias-guia/
- https://portal.bext.vc/3-erros-que-todo-mundo-comete-ao-fazer-financiamento-2/
- https://hemisferio.iadc.edu/index.php/hemisferio/issue/download/volume-10/10
- https://manicamarin.com.br/artigo/investimento/erros-fatais-investidores-imobiliarios-iniciantes-15-armadilhas-evitar
- https://morata.adv.br/servicos/8-erros-comuns-financiamento-imobiliario/
- https://revista.amagis.com.br/index.php/amagis-juridica/issue/download/30/29







