Finanças para Jovens: Comece Cedo, Chegue Longe

Finanças para Jovens: Comece Cedo, Chegue Longe

Num país onde o nome de mais de 70 milhões de pessoas está negativado, aprender a lidar com dinheiro não é apenas uma habilidade, mas uma necessidade urgente. Jovens que buscam autonomia financeira têm a chance de romper ciclos de endividamento e construir um futuro mais estável.

Cada real economizado ainda na juventude pode render muito mais ao longo do tempo, graças aos juros compostos. Essa vantagem do tempo transforma pequenos montantes em patamares que parecem inalcançáveis quando se começa tarde demais.

Por isso, entender conceitos básicos de finanças, definir metas e adotar hábitos saudáveis de consumo pode ser o diferencial entre viver apertado e ter tranquilidade para aproveitar conquistas e sonhos.

Por que falar de finanças cedo?

Os dados não mentem: em agosto de 2025, o Brasil bateu o recorde de inadimplência com 71,7 milhões de pessoas registradas em órgãos de proteção ao crédito, alta de 9,2% em relação ao ano anterior. Essa realidade impacta profundamente a economia, gerando um efeito em cadeia que compromete investimentos e oportunidades de crescimento.

Diante desse cenário, a prevenção de dívidas surge como um dos principais objetivos de quem ainda está formando seus hábitos. Adotar medidas simples, como acompanhar gastos e planejar compras, evita surpresas desagradáveis e o uso excessivo do crédito.

Além disso, inserir uma disciplina de educação financeira no currículo escolar, como já ocorre na Educação de Jovens e Adultos (EJA), ajuda a disseminar conhecimento e empoderar gerações a tomarem decisões conscientes desde cedo.

Situação dos jovens brasileiros

Jovens entre 16 e 24 anos apresentam índices muito positivos de planejamento financeiro, com 72% afirmando ter estratégias definidas para o futuro. É um contraste marcante ao dado de apenas 23% de planejadores entre maiores de 60 anos, e mostra que a juventude está mais aberta ao aprendizado financeiro.

Quando o assunto é poupar, 61% dos entrevistados dessa faixa etária dizem economizar de forma recorrente, seja na maioria dos meses (44%) ou todos os meses (17%). Esse comportamento é impulsionado, em parte, por apoio familiar, mas também por um senso de responsabilidade cada vez maior.

Na Geração Z, composta por jovens de 18 a 24 anos, 53% realizam controle de receitas e despesas, enquanto 47% ainda não adotaram esse hábito. As principais razões para a ausência de um registro financeiro são:

  • Falta de conhecimento sobre métodos de controle
  • Preguiça ou percepção de baixa prioridade
  • Desorganização e ausência de disciplina
  • Receitas insuficientes para economizar

Mesmo entre quem faz o controle, muitas vezes o método ainda é básico: 26% usam bloquinho de papel, mostrando que a tecnologia não substitui a vontade de aprender.

Quanto à renda, 78% dos jovens têm alguma fonte de recursos, seja emprego formal (36%) ou trabalho informal (23%), enquanto 22% ainda dependem de outros meios. A independência financeira, portanto, é um estágio alcançado por grande parte, mas ainda distante para muitos.

Entre quem guarda dinheiro, 52% possuem reservas. Os principais motivos para poupar são situações imprevistas (33%), viagens (21%) e o sonho da casa própria (19%). No entanto, a maior parte opta por aplicações conservadoras, como poupança (53%), guardar em casa (25%) ou manter em conta corrente (20%).

Esses números revelam um cenário de oportunidades e desafios: a juventude demonstra interesse, mas ainda encontra barreiras práticas para consolidar hábitos financeiros saudáveis.

Principais barreiras enfrentadas pelos jovens

Mesmo com boa vontade, vários fatores podem impedir a construção de uma trajetória financeira sólida. Reconhecer cada obstáculo é o primeiro passo para superá-lo:

  • Percepção de que nunca sobra dinheiro no fim do mês
  • Falta de disciplina para anotar e revisar as finanças
  • Não entender os produtos financeiros disponíveis
  • Desmotivação diante de rendimentos baixos ou complexos

Esses bloqueios muitas vezes resultam em desistências rápidas, fazendo com que o jovem volte a consumir de forma impulsiva e mantenha um ciclo de apertos e emergências.

Estratégias práticas para começar cedo

Superar as barreiras requer um plano de ação claro e ajustável à rotina de cada um. Confira estas práticas essenciais:

  • Estabelecer metas financeiras específicas e mensuráveis
  • Criar um orçamento mensal simples, detalhando todas as entradas e saídas
  • Formar uma reserva de emergência para imprevistos
  • Automatizar transferências para poupança ou aplicações
  • Investir em conhecimento por meio de cursos e livros confiáveis
  • Diversificar investimentos segundo o perfil de risco

Com disciplina e constância, até mesmo aportes pequenos crescem exponencialmente. A chave está em manter o foco no longo prazo, evitando decisões motivadas por pressa ou emoções momentâneas.

Além disso, usar ferramentas digitais, como aplicativos de controle financeiro, e participar de grupos ou comunidades de aprendizado pode potencializar o engajamento e oferecer suporte em dúvidas do dia a dia.

O papel da educação financeira e políticas públicas

A expansão de matérias eletivas de educação financeira nas escolas brasileiras tem sido notável. Em 2024, 142 mil estudantes participaram de cerca de 5 mil turmas; em 2025, esse número saltou para 175 mil alunos em 5.860 turmas.

Essa iniciativa, presente tanto no ensino regular quanto na EJA, tem como objetivo democratizar o acesso ao conhecimento financeiro e capacitar jovens e adultos para lidar com orçamento, dívidas e investimentos de forma consciente.

Políticas públicas que apoiam o desenvolvimento de programas em escolas, comunidades e ambientes virtuais fortalecem a cultura de planejamento e reduzem a vulnerabilidade a crises econômicas.

Conclusão: O futuro financeiro começa agora

Vivemos em um momento em que informação e ferramentas nunca estiveram tão disponíveis. Aproveitar esse contexto e adotar hábitos saudáveis de finanças pessoais pode transformar sonhos em conquistas reais.

Jovens que começam cedo e com estratégia têm maior chance de independência, segurança e liberdade para escolher o estilo de vida desejado. Não adie: cada passo dado hoje se reflete em um amanhã mais estruturado.

Desafie-se a colocar em prática pelo menos uma das estratégias apresentadas e compartilhe essas ideias com amigos e familiares. O sucesso financeiro é resultado de atitude, conhecimento e perseverança. Seu futuro agradece.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

Lincoln Marques