ESG no Mercado: Sustentabilidade que Gera Valor

ESG no Mercado: Sustentabilidade que Gera Valor

Em um cenário onde resultados financeiros e impactos socioambientais caminham juntos, o ESG deixou de ser um tema restrito ao nicho de investimentos éticos para se tornar um critério de análise de risco e alocação de capital. A jornada do ESG reflete a transição de filantropia corporativa para finanças sustentáveis ganham espaço no centro das decisões de mercado.

Origem e Evolução do ESG

O conceito de ESG – Environmental, Social and Governance – nasceu para avaliar não apenas quanto uma empresa lucra, mas como esse lucro é gerado. Desde práticas ambientais até governança corporativa, o ESG se consolidou ao longo das últimas décadas.

No início, investimentos responsáveis eram vistos como ações de marketing verde. Hoje, são exigências de stakeholders: investidores, bancos, clientes e talentos buscam empresas alinhadas a metas socioambientais. A transformação de “valor moral” em valor econômico mensurável se apoia em três grandes frentes:

  • Mitigar riscos climáticos, regulatórios e reputacionais.
  • Capturar oportunidades em mercados verdes e inovação.
  • Acessar capital mais barato via títulos e linhas atreladas a metas.

ESG nos Títulos da B3

No 1º semestre de 2025, a B3 registrou 23 novas emissões de títulos temáticos ESG, somando R$ 10,35 bilhões. Com isso, o estoque total alcançou R$ 138,16 bilhões, alta de cerca de 7% em relação a 2024.

Destacam-se as debêntures, responsáveis por 88% do volume, incluindo rótulos “verdes”, “sociais” e sustainability-linked bonds (SLBs) atrelados a metas de sustentabilidade. A combinação de impactos ambientais e sociais responde por 72% dos projetos financiados, refletindo a preferência do mercado por iniciativas com duplo benefício.

Os setores de serviço de eletricidade concentram 32% do estoque ESG na B3, reforçando a ligação entre a agenda sustentável e a dívida corporativa rotulada para a transição para baixo carbono.

Queda Pontual nas Emissões e Consolidação de Estoque

Embora o estoque cresça, as emissões de títulos sustentáveis no Brasil totalizaram apenas US$ 3,3 bilhões no 1º semestre de 2025, queda de 65% em relação ao mesmo período de 2024. Globalmente, houve recuo de 25%, com US$ 440 bilhões emitidos.

Fatores como instabilidade geopolítica e incertezas macroeconômicas geraram maior cautela na originação de novos títulos. Ainda assim, o ritmo de crescimento do estoque demonstra que a classe de ativos se consolida, sobretudo no Brasil, onde a base de dívida ESG é expressiva. O momento reflete uma maturação do mercado, que agora prioriza qualidade e impactos alinhados a métricas tangíveis.

Fundos ESG no Brasil: Crescimento e Perfil

Em maio de 2025, o patrimônio sob gestão (AuM) dos fundos ESG no Brasil atingiu R$ 34 bilhões, alta de 28% no acumulado do ano. São 193 fundos ativos, divididos em:

  • 127 fundos IS (Investimento Sustentável), com compromisso formal.
  • 66 fundos ESG-related, que consideram critérios ESG sem compromisso formal.

A composição revela predominância de renda fixa (78%), enquanto ações representam 17% do total. Apesar da valorização do IBOV (+14%) e do ISE (+24%), os fundos de ações ESG registraram queda de 12% no patrimônio desde janeiro de 2025.

Em captações líquidas, o setor movimentou R$ 6,2 bilhões: R$ 6,6 bilhões nos fundos IS e saída de R$ 400 milhões nos ESG-related. Esse comportamento sinaliza a preferência por compromissos claros de sustentabilidade nas estratégias de investimento.

Desempenho de Longo Prazo dos Fundos de Ações ESG

Ainda que enfrentem resgates pontuais, os fundos de ações ESG apresentam desempenho superior no longo prazo. Desde abril de 2022, os resultados acumulados são:

Esses números reforçam que o ESG pode gerar retorno superior ajustado a risco, mesmo em cenários macroeconômicos desafiadores.

Estratégias de Investimento Sustentável

As gestoras brasileiras adotam diversas abordagens para integrar ESG. Entre os fundos IS, destacam-se:

  • Negative screening – exclusão de setores controversos (armas, carvão, tabaco).
  • Ratings internos ESG – sistemas próprios de avaliação de riscos e oportunidades.
  • Best-in-class – seleção das empresas com melhores práticas em cada setor.

Cada estratégia reflete diferentes perfis de investimento, mas todas compartilham o objetivo de alinhar rentabilidade e responsabilidade socioambiental.

Impactos Econômicos e Perspectivas Futuras

O ESG deixou de ser etiqueta e assumiu papel central na alocação de capitais. Empresas com práticas sólidas tendem a acessar crédito mais barato, reduzir volatilidade e atrair investimentos de longo prazo.

No horizonte, espera-se maior rigidez regulatória e padrões mais robustos de reporte. A digitalização e a transparência nas métricas ESG devem avançar, impulsionando a eficiência e confiabilidade dos dados.

Para investidores e gestores, o caminho é claro: integrar ESG ao core business, adotar métricas alinhadas a frameworks internacionais e cultivar uma cultura de responsabilidade. Assim, a sustentabilidade transcende a filantropia e se torna vetor de crescimento resiliente e duradouro no mercado.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

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