O Brasil se encontra em um momento decisivo para liderar a economia de baixo carbono e transformar desafios climáticos em oportunidades para desenvolvimento sustentável.
Panorama das políticas nacionais
A partir da Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), lançada na COP30, o país definiu um roteiro claro para reduzir emissões na indústria pesada. A ENDI foca em pesquisa, inovação e capacitação, uso de hidrogênio de baixo carbono e estímulo à demanda por produtos verdes.
- ENDI: nove setores energointensivos com metas até 2050.
- Marco Hidrogênio Verde: incentivos fiscais e segurança jurídica.
- Estratégia Nacional Economia Circular (ENEC): KPIs e mercado circular.
- Fundo Clima: mais de R$ 7 bilhões autorizados para transição.
Complementam o panorama compromissos de redução de desmatamento, ampliações de NDC e parcerias entre MDIC, CNI e BNDES, construindo inovação e competitividade global.
Cenários e projeções até 2050
O estudo Schneider Electric/MDIC apresenta dois cenários: “Terra Firme” (modernização gradual) e “Salto Verde” (eletrificação acelerada). A diferença na trajetória de emissões até 2050 é contundente.
No cenário “Salto Verde”, alcança-se neutralidade climática até 2050 sem depender exclusivamente de tecnologias de captura, destacando o papel da restauração florestal.
Setores com maior potencial verde
O Brasil reúne condições únicas para expandir cadeias verdes, alavancando agronegócio, mineração e indústria. Entre as oportunidades mais promissoras estão:
- Siderurgia verde: produção 2,7× a 4× maior até 2050.
- Química sustentável: crescimento de 40–50% até 2050.
- Mineração e manufatura modernas: +50% de produtividade.
- Hidrogênio e amônia verde: custos abaixo de US$ 1,70/kg.
- SAF (combustível de aviação sustentável): 25 mi tm/ano até 2035.
O avanço nessas cadeias reforça o Brasil como fornecedor estratégico de insumos verdes e somado às vantagens de matriz renovável, fortalece a competitividade global.
Incentivos, financiamentos e parcerias
O setor privado pode acessar recursos via créditos de carbono, incentivos fiscais e fundos públicos. Destaques:
• Suspensão de PIS/COFINS para hidrogênio verde por cinco anos (Lei 14.948/2024).
• R$ 18,3 bi em benefícios fiscais (2028–2032) para produção de hidrogênio.
• BNDES investindo R$ 384,3 mi em projetos de captura e armazenamento de carbono no etanol.
• SB-COP: articulação de 24 confederações e 40 mi empresas para compromissos voluntários.
Desafios para a transição
Nem tudo são flores. Há barreiras econômicas e estruturais que exigem coordenação:
- Taxas de juros elevadas e custo de capital alto.
- Desmatamento persiste: 1,34 mi ha em 2022.
- Infraestrutura elétrica e logística insuficiente.
- Incertezas geopolíticas e acesso a minerais críticos.
Superar esses obstáculos passa por ampliar parcerias público-privadas, garantir previsibilidade regulatória e acelerar investimentos em grid e transporte.
Como empresas e investidores podem agir
Para aproveitar o momento, recomenda-se:
1. Realizar auditoria de emissões e definir metas internas alinhadas às NDC.
2. Investir em energias renováveis por meio de PPAs e autogeração.
3. Buscar certificações e selos de baixo carbono para agregar valor.
4. Acessar linhas de crédito verdes e fundos de inovação.
5. Estabelecer parcerias para P&D e adoção de tecnologias circulares.
Esses passos promovem transformação sustentável e resiliência financeira no médio e longo prazo.
Impactos esperados e benefícios
A descarbonização amplia a criação de empregos qualificados, eleva o padrão de vida e fortalece exportações. Aumentar a participação da eletricidade no consumo final reduz custos operacionais e libera terras para restauração, gerando crédito de carbono e absorvendo 200 MtCO2/ano.
Além disso, a consolidação de cadeias verdes otimiza recursos naturais e cria vantagem comparativa, posicionando o Brasil como líder em setores estratégicos como hidrogênio verde e aço verde.
Conclusão inspiradora
O caminho para a economia de baixo carbono exige coragem, cooperação e visão de longo prazo. O Brasil dispõe de recursos naturais renováveis, talento e políticas emergentes para transformar a crise climática em motor de crescimento.
Cada empresa, investidor, pesquisador e cidadão tem papel fundamental nessa jornada. Trabalhando juntos, poderemos consolidar um futuro próspero, justo e sustentável para as próximas gerações.
Referências
- https://eixos.com.br/newsletters/dialogos-da-transicao/brasil-pode-dar-salto-verde-na-industria-ate-2050-o-problema-e-o-meio-do-caminho/
- https://veja.abril.com.br/agenda-verde/brasil-lanca-plano-para-cortar-emissoes-da-industria-na-cop30/
- https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/vice-presidente-do-brasil-destaca-importancia-da-descarbonizacao-para-uma-industria-mais-inovadora-sustentavel-e-competitiva
- https://www.iedi.org.br/cartas/carta_iedi_n_1291.html
- https://guofuhee.com.br/marco-legal-hidrogenio-verde-2025/
- https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/brasil-reforca-cooperacao-internacional-para-acelerar-descarbonizacao-do-setor-de-oleo-e-gas-na-cop30
- https://cnseg.org.br/noticias/descarbonizacao-do-agro-avanca-mas-falta-de-financiamento-ainda-freia-transicao-verde
- https://theicct.org/publication/rumo-a-mobilidade-zero-emissoes-avaliacao-de-cenarios-para-descarbonizacao-do-transporte-rodoviario-no-brasil-nov25/
- https://cebri.org/br/doc/397/relatorio-executivo-brasil-em-trajetorias-sustentaveis-caminhos-de-competitividade-para-a-descarbonizacao







