Em um mundo cada vez mais impactado por mudanças climáticas, entender as consequências financeiras da inação tornou-se vital para empresas de todos os portes e setores. O recente estudo Global Climate Action Barometer da EY revela que o custo médio da inação climática atinge impressionantes 15% da receita anual, quase o dobro do investimento global em mitigação e adaptação, estimado em 8% da receita. Com estatísticas tão contundentes, surge uma pergunta inevitável: por que tantas organizações ainda hesitam?
Após a COP30, ficou claro que o protagonismo privado é essencial para acelerar a transição para uma economia sustentável. No entanto, sem um planejamento estratégico sólido, as metas de neutralidade de carbono e a gestão de riscos climáticos podem permanecer meramente aspiracionais. Este artigo explora o conceito de custo da inação, evidências empíricas, o papel crucial da estatística na tomada de decisões e os passos necessários para transformar proatividade em vantagem competitiva.
O Que é Custo da Inação?
O custo da inação refere-se às perdas financeiras e operacionais que ocorrem quando empresas não implementam medidas de mitigação ou adaptação aos riscos climáticos. Além dos impactos diretos, como danos a ativos físicos por eventos extremos, há também prejuízos indiretos, incluindo interrupções na cadeia de suprimentos, aumento de seguros e queda de receita.
Em termos globais, uma única hora de inatividade não planejada pode custar, em média, £1,4 milhão por incidente, de acordo com a Sungard AS. Em escala empresarial, isso se traduz em perdas anuais de US$ 49 milhões por companhia. No Brasil, o panorama é igualmente preocupante: eventos climáticos extremos geraram um custo de R$ 61 bilhões aos estados nos últimos dez anos.
Insights do Estudo EY Global Climate Action Barometer
O levantamento da EY envolveu 857 empresas de 50 países e 13 setores, revelando discrepâncias regionais e setoriais marcantes. Entre os principais achados:
- Apenas 31% das empresas avaliam simultaneamente o custo da ação e o custo de longo prazo da inação.
- 68% quantificam riscos climáticos (físicos e de transição), mas apenas 17% divulgam o impacto financeiro em suas demonstrações.
- No setor imobiliário, o investimento projetado em 2024 chega a 96% da receita, motivado por ameaças como incêndios, inundações e furacões.
Esses dados ilustram um paradoxo: apesar da crescente percepção dos riscos, a maioria das organizações ainda não integra totalmente essa dimensão em suas estratégias de negócios.
O Papel da Estatística no Planejamento Estratégico
Para superar a lacuna entre conscientização e ação, é fundamental adotar a estatística como base para a tomada de decisões. Ferramentas estatísticas transformam intuição em projeções confiáveis, permitindo que líderes antecipem cenários, dimensionem investimentos e monitorem resultados.
- Análise de tendências para identificar padrões de demanda e consumo.
- Modelagem preditiva para estimar impactos financeiros de eventos climáticos.
- Otimização de recursos visando redução de custos operacionais.
- Avaliação de riscos com métricas claras para métricas de desempenho e ROI.
Esses benefícios não se restringem a setores específicos. Seja na indústria, serviços ou mercado financeiro, o uso de dados estatísticos permite uma visão holística e integrada, conectando objetivos ambientais a resultados corporativos mensuráveis.
Desafios e Barreiras à Ação
Apesar das vantagens evidentes, diversas empresas enfrentam obstáculos ao implementar um planejamento robusto. Entre os principais desafios estão:
- Horizonte temporal curto dos demonstrativos financeiros versus riscos climáticos de longo prazo.
- Receio competitivo que inibe a divulgação de impactos financeiros relacionados ao clima.
- Planejamento precário: 98% das empresas apresentam fragilidades na gestão de riscos, segundo a PwC.
- No Brasil, 62% dos negócios ainda sofrem os efeitos de crises recentes, como a pandemia.
Essas barreiras reforçam a necessidade de uma cultura corporativa orientada por dados, onde a transparência e a colaboração se traduzam em confiança dos investidores e engajamento das equipes.
Benefícios de um Planejamento Baseado em Dados
Os ganhos de quem investe em planejamento estratégico apoiado em estatística são significativos e duradouros:
Em 2023, 72% das empresas relataram desempenho superior graças a planos estratégicos bem estruturados. Ao quantificar riscos e oportunidades, essas organizações conquistam vantagem competitiva e resiliência em um mercado cada vez mais volátil.
Chamado à Ação Pós-COP30
Na esteira da COP30, as expectativas em relação ao setor privado são altas. Atualmente, 64% das empresas já possuem planos de transição e 69% miram net zero até 2050, embora apenas 30% alcancem metas para 2030. O uso de créditos de carbono é adotado por três em cada cinco companhias, mas sem um roteiro financeiro claro, esses esforços podem ser insuficientes.
Como sintetiza o CEO da EY: "O custo da inação é muito superior ao do investimento em soluções sustentáveis". Leonardo Dutra, líder de Sustentabilidade na EY Brasil, reforça a urgência de identificar riscos financeiros e aumentar a divulgação, garantindo progresso sistemático e responsável.
Conclusão
O custo da inação não deve ser encarado apenas como uma ameaça futura, mas como um indicador decisivo para a saúde financeira e reputacional das empresas. Ao integrar estatística e planejamento estratégico, líderes podem transformar riscos climáticos em oportunidades de inovação, criar valor de longo prazo e fortalecer a confiança de investidores e consumidores.
Investir em dados hoje significa assegurar resiliência e competitividade no amanhã.
Referências
- https://www.ey.com/pt_br/newsroom/2025/12/inacao-climatica-custa-quase-dobro-investimento-mitigacao-adaptacao
- http://penseexcel.com/artigos/a-importancia-da-estatistica-para-empresas
- https://exame.com/esg/inacao-climatica-pode-custar-15-da-receita-anual-das-empresas-revela-estudo/
- https://www.idealbusinessschool.com.br/blog/dia-mundial-das-estatisticas/
- https://infonova.com.br/calcular-custos-tempo-inatividade/
- https://drimify.com/pt/recursos/custo-inacao-assassino-silencioso-crescimento-empresarial/
- https://lume.ufrgs.br/bitstream/10183/196505/1/000885794.pdf808a5a26bac7e24de13c4700b6d76159MD5110183/1965052019-07-04
- https://www.youtube.com/watch?v=z_e5wbgjeF8
- https://www.voitto.com.br/blog/artigo/planejamento-empresarial
- https://homeostase.pt/2024/07/19/o-impacto-do-tempo-de-inatividade/
- https://consultingblue.com.br/planejamento-e-precario-para-98-das-empresas-aponta-pwc/
- https://www.proj4.me/blog/planejamento-empresarial
- https://jornalvisaodenegocios.com.br/inacao-climatica-pode-custar-ate-15-da-receita-anual-das-empresas-aponta-estudo/
- https://mereo.com/hub/planejamento-estrategico/







